Um delicioso roteiro pela Via Chiantigiana – by Bia Mignolo
25/11/2011 1 comentário

Um delicioso roteiro pela Via Chiantigiana – by Bia Mignolo

E hoje vamos de um roteiro delicioso pela Via Chiantigiana! Apresento a vocês o quarto post de seguidor do blog. Este post foi elaborado por uma amiga querida e, também blogueira, Bia Mignolo. O Viaje no Detalhe (http://www.viajenodetalhe.com.br/), super blog da Bia tem uma proposta um pouco diferente da minha e por lá vocês encontrarão muito da Europa, especialmente Itália. A Bia é super caprichosa e me sinto honrada dela ter topado o meu convite. Obrigada pelo post, Bia…;o)!

Chega de conversa e vamos ao que interessa. Eu e Bia apresentamos Chianti… Arrivederci…;o)!

“Acho que se formos mil vezes à capital da Toscana, Firenze, sempre teremos algo a observar, nem que seja pelo único e exclusivo fato de rever os detalhes dessa incrível cidade. Dos telhados que sempre reservam surpreendentes varandinhas, as cúpulas das catedrais, pontes, calçadas, das feiras de rua, dos museus e galerias, lojas, trattorias, enotecas e uma inesgotável lista de saudosas e sempre bem-vindas atrações.

 

Interior da cúpula da Duomo, com afresco de Giorgio Vasari e Federico Zuccari  representando o Juízo Final.

Mas se Firenze parece o poço de inúmeras inspirações (e é mesmo!) descobrimos nas curvas da Via Chiantigiana, a estrada regional que liga Siena a Firenze, cidadezinhas que foram caprichosamente pintadas ou esculpidas nas colinas do Chianti.

 

Como a região das belas estradas é rural e bem estreita, são poucas as opções de transporte público e horários. Neste caso, alugar um carro é a melhor solução.

Alugamos, mais uma vez, um smart à diária de 50 euros. Rodamos um percurso de 10 km pelas belas estradas S-222, S-429 e S-408. As estradas são bem sinalizadas, mas não tem acostamento. Com toda beleza de ciprestes, oliveira, vinhedos e alguns castelos, tivemos certeza que esse não era um roteiro de um dia só.Saindo de Firenze e pegando a S-222 avistamos no alto de uma colina um lindo castelo, onde se produz deliciosos vinhos e azeites.

http://www.chianti-chianti.net/

Paramos em sua lojinha na beira da estrada e de lá fomos conhecer o Castello de Verrazzano, uma grata surpresa.

Interior da loja

Greve in Chianti (26 km de Firenze) foi nossa próxima parada. Ela é a principal cidade do vinho Chianti Classico, e abriga a maior feira de vinhos Chianti, realizada todo mês de setembro.

Uma ruela discreta, estreita e movimentada apenas por moradores nos levou a praça central da cidade, Piazza Giacomo Matteotti.
Nela uma feirinha de frutas, legumes, queijos, vinhos e até roupa nos esperava. Para nos receber, como se estivesse de braços abertos, um caminhãozinho no qual vendiam perfurmadas porquetas.
Ainda naquela praça, trocando ideias com os feirantes, tivemos oportunidades de degustar olivas que mais pareciam mini pêras (grandes, verde e suculentas), azeites que pareciam chás verdes, aroma herbaceous e intenso, castanhas, temperos, queijos curados e fortes que acompanham bem qualquer tábua de frios com suas taças de Chianti Clássico ou até mesmo um Brunello.
L’Antica Marcelleria Falorni é uma parada obrigatória. Tanto quanto o Nerbone, um dos mais tradicionais e deliciosos restaurantes da região.

 

Mas não pense que estou falando de restaurante luxuoso. Definitivamente não é isso. Chique, nessa situação, é ser original respeitando a tradição entendendo a história dos lugares, do seu povo e muito mais. Para se ter uma ideia, almocei um dos pratos mais típicos da Toscana, “La trippa alla fiorentina”, a nossa tradicional dobradinha.

Verdade seja dita, eu nunca havia comido uma dobradinha tão maravilhosa quanto aquela. Ela derretia na boca, com um sabor maravilhoso e inesquecível. A pessoa que estava comigo, optou por uma pasta que em si não tinha nada de excepcional, mas no preparo um toque especial fazíanos comer de joelhos. Conta final não passou de  70,00 €.

Algumas horas depois seguimos pela S-222. Radda in Chianti nos esperava. Depois de apenas 19 km. Dá-lhe mais surpresas, mais sabores e mais vontade de ficar. Em Radda chegamos perto da hora do almoço e, portanto, não aproveitamos muito do comércio, já que hora do almoço é feita para almoçar e descansar em casa. (Um luxo, não?!). Tivemos a sorte de encontrar uma simpática enoteca aberta.
La Bottega di Giovannino – Radda in Chianti
Entramos e sentimos o ambiente. Ela era, lógico, pequena, de acordo com as proporções do piccolo paese. Não queríamos passar de liso por Radda. Decidimos pedir uma porção dos famosos prosciutti da região e, claro, um Chanti Clássico.
Radda tem apenas 1.660 habitantes, linda, florida. Apaixonante

A atmosfera do lugar e o jeito desconfiado dos habitantes contribuíam para nossa admiração. Para selar com chave de ouro, observamos na parede três relógios. Abaixo de cada um o nome das cidades: Radda, Gaiole, Greve. A intensão daquela “obra” era o mesmo de mostrar o fuso horário de cada uma delas. Mas como assim já que eram tão próximas. Não resistindo à dúvida perguntei e a resposta foi super interessante: é uma tradição, acompanhada de um dito popular, que diz que cada cidade tem seus costumes, sua gente e até seu próprio horário. Quer coisa mais bairrista do que essa?!

Cantina Enoteca Montagnani

De Radda fomos para Gaiole in Chianti por mais 11 km. Das pacatas cidadezinhas fazíamos questão de levar um “pedaço” dela, assim como já tínhamos feito nas demais. Com uma antiga comerciante da cidade compramos um azeite feito pela família há décadas.  O que poderia ser uma rápida e corriqueira compra, virou quase uma entrevista do IBGE.

Queríamos saber sobre ela, sobre a família, da cidade, dos produtos que fabricavam e ainda sobre alguns objetos que eram expostos com orgulho naquela micro lojinha. Percebi naquela senhora uma satisfação por interessarmos pela história dela e por estarmos felizes na pequena Gaiole.
De Gaiole resolvemos voltar à rota. Nosso objetivo agora era Castellina in Chianti que estava bem mais longe (27 km! rsss).

Antica Trattoria La Torre – Restaurante na praça em Castellina

Pensei que não seria surpreendido por mais nenhuma cidadezinha naquela região abençoada. Mas fui. E muito! Castellina in Chianti, tornou-se prá mim um objetivo, uma meta, um desejo ardente de contemplar. Não que ela ofereça uma calmaria maior ou melhor que as outras, mas talvez pela sua geografia, pela sua energia que deve ter batido com minha…sei lá. Sei apenas que foi uma gostosa sensação que prefiro não racionalizar tanto, apenas compartilhar.
Antica Trattoria La Torre – Restaurante na praça em Castellina
Em Castellina encontramos uma loja de cooperativa local que além de ofertar os produtos ali produzidos, demonstrava um coleção histórica de garrafas de Chianti. Rótulos super antigos, de produtores que talvez nem existam mais. Já que o Chianti não costuma ser um vinho de guarda, certamente essa era uma maneira deles orgulhosamente exibirem sua história. Mais adiante encontramos a famosa marca Gallo Nero, um das cooperativas mais emblemáticas da Toscana, que autentica os vinhos produzidos naquela região.

Encontramos ainda casinhas que pareciam de boneca, de tão belas, charmosas e muito bem cuidadas. Em Castellina resolvemos parar e observar o entorno por alguns minutos numa pequena praça. O vento trazia sons da natureza e aromas gostosos das fazendas. Isso nos trazia uma paz interior magnífica e memorável.

A Toscana certamente tem outras tantas surpresas que ainda queremos vivenciar. Algumas delas, como San  Gimignano, Volterra, Lucca, Pisa. Ficarão para o próximo post unicamente pelo fato de estarem do outro lado da auto-estrada. Aqui vou me limitar a algumas experiências e descobertas as margens da S-222.
Entre no site desse mapa e clique em uma cidade da região do vinho Gallo Nero para obter mais informações.
Dicas e informações

Restaurantes IMPERDÍVEIS no Chianti

L’Antica Macelleria Falorni (excepcionais presuntos, com destaque para o Cinta Senese, salsichas e vários outros embutidos, também de javali) – Piazza Giacomo Matteotti, 71 – Fecha no mês de fevereiro – Não abre sexta – Greve in Chianti – Tel.:39.055.85.30.29

Antica Trattoria la Torre (referência da tradicional cozinha toscana) – Piazza del Comune Castellina in Chianti – Tel:0577.74.02.36 – Não abre sexta.
Osteria Alla Piazza (tradicional cozinha toscana. Lugar lindo.) – Fraxione La Piazza Nº 7, 53011

Castellina in Chianti – Fecha no mês de fevereiro – Não abre domingo – Tel: 0577.73.35.80

Outras dicas IMPERDÍVEIS
Alugue um carro para fazer esse trecho, pois além de não haver trem local, essa estradinha certamente será a única Estrada do mundo onde você não fará questão nenhuma de passar dos 40 km / h. Quanto mais lento, melhor.
Aqui algumas dicas para dirigir em Firenze e em toda a Itália e voltar para a casa sem multas:

Dirigir na Itália e evitar multas.

Pra quem vai de ônibus, pesquise antes os horários: Autolinee Chianti Valdarno

Giro pela Toscana de ônibus

Para pesquisa de agriturismo na Toscana Castello di Verrazzano – Saindo de Firenze, pegue a SR 222 sul para Greve in Chianti. Saindo da cidade após 18 km você vai encontrar a pequena loja do lado direito. Para o castelo, vire à direita e siga as indicações até a colina e após cerca de 2 km vai chegar Verrazzano. Além da produção de vinhos, azeite e temperos, lá também funciona como agriturismo.
                                          http://www.verrazzano.com/gli-alloggi/
Em Firenze tem uma Cantina de Vernnazzano Cantinetta di Verrazzano (foccacia, vinho, queijos e salumeria da Falorni de Greve) – Via dei Tavolini, 18/r 50122 – Firenze – Aberto de 8h as 21h (julho e agosto até às 15h)/ Não abre domingo – Tel.: 39.055.26.85.90″

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