A experiência de uma mulher viajar sozinha para Turquia
19/05/2016 6 comentários

A experiência de uma mulher viajar sozinha para Turquia

Quando planejei viajar sozinha para Turquia veio uma série de dúvidas na cabeça, uma vez que nunca tinha ido a um país de maioria muçulmana na vida. As principais e que me deram mais trabalho para pesquisar foram: o que vestir; como se portar e; o que é permitido fazer sozinha pelas ruas.

Ná época, fiz uma busca na internet, mas não havia muitas informações que esclarecessem as minhas dúvidas. Desta forma, segui praticamente a minha intuição e experiência de viajante sola, resolvendo encarar o desafio, sem ferir os costumes do país.

Para que cada vez mais mulheres sanem suas principais dúvidas antes de ir ao país, relato abaixo a minha experiência de viajar sozinha para a Turquia e quais são as precauções necessárias durante a estada.

Roupas – o que usar durante as andanças?

Verão e primavera: vestidos e bermudas abaixo ou próximos dos joelhos é uma boa pedida em todas as cidades que frequentará. Evite roupas coladas, decotes e transparências em suas vestimentas. Use e abuse de rasteirinhas ou chinelos para transitar pelas cidades.

Apesar do lado europeu de Istambul ser mais liberal, me surpreendendo inclusive com a quantidade de mulheres turcas que usam shorts, blusas de alça fina e chinelos pela ruas, quando atravessamos para o lado asiático da cidade as coisas mudam da água para o vinho no comportamento e nas vestimentas femininas. As mulheres são mais formais, utilizando muito mais frequentemente saias longas e lenços que cobrem sua cabeça e cabelos.

Caso esteja com uma vestimenta mais liberal, as pessoas podem te olhar com aquela desconfiança e poderão lhe faltar ao respeito. Como eles falam turco e, dificilmente você entenderá, nada mais prudente que evitar este tipo de situação. Na minha experiência, mesmo nos lugares mais conservadores, fui recebida de forma bem simpática, pois sempre falava com eles com muito respeito e me preocupava com o traje que usava

Inverno e outono: Use e abuse das calças e casacos, mas nada muito justo ou transparente também. É mais fácil não passar perrengue nesta época em função das baixas temperaturas.

Roupas – o que usar nas mesquitas que permitem visitação?

Calma! Você não terá que comprar roupas para entrar. Logo na entrada da mesquita, normalmente haverá um senhor e um armário com lenços e panos parecidos com saiões que você pega emprestado e veste por cima de suas roupas ali mesmo.

Para entrar em qualquer mesquita, se faz necessário tirar os sapatos, independentemente se você é homem ou mulher. Os homens não são obrigados a colocar qualquer lenço na cabeça, mas se estiverem de bermuda, precisarão pegar um dos saiões no armário e vestir.

No caso das mulheres, além dos saiões, há lenços para a cabeça e cabelos, além de tecidos adicionais, caso você não esteja com alguma blusa ou vestido de manga.

Eu, sinceramente até tinha levado um lenço para este tipo de ocasião e buscava utilizar vestidos mais longos, mas acabei desencanando de levar os lenços no segundo dia pelo fato da mesquita ter todos os adereços à disposição dos visitantes.

Há uma certa flexibilidade na Mesquita Azul de trajes devido a grande quantidade de turistas que lá frequentam, ou seja, os lenços e saiões não são tão necessários serem utilizados para cobrir todo o corpo e a cabeça antes de entrar, mas a retirada do sapato é obrigatória.

Além das diferenças acima descritas, os homens usualmente rezam nestes tapetes das fotos e as mulheres em um outo local mais isolado. Eu só pude fazer foto no lugar aonde os homens rezam, pois estava no horário e dia que era aberto ao público. Há mesquitas que só homens podem entrar.

A reza, voltada a Meca, deve ser feita cinco vezes ao dia pelos muçulmanos. Eles param tudo que estão fazendo e estendem seus tapetes quando a mesquita anuncia através de um canto que é hora de rezar. Em Istambul escutei várias vezes o canto vindo da mesquita, mas não vi ninguém parar e esticar o tapete para rezar.

Já nas cidades mais conservadoras e tradicionais, a coisa é diferente.

Nosso comportamento 

Não mude quem você é de verdade. Somente não procure ser escandalosa ou rir alto (se for assim de verdade, tente minimizar). Busque ser mais reservada e séria para atrair menos olhares e eventuais assédios da ala masculina.

Assédio dos homens turcos

Os turcos têm verdadeira força oculta para saber a nossa nacionalidade. Por mais que você ache que brasileira não tem face e identidade, eles sabem que somos da terrinha. No Grand Bazaar, por exemplo, quando passamos pelos corredores das “lujinhas” de confecção e jóias, se referem a nós como “Brasil, como vai?”, “Olá, tudo bem?” e assim por diante. Eles tentam emplacar o máximo da sedução para vender seus produtos e aproveitar para te paquerar, obviamente.

Nas ruas, os turcos mexem mesmo e na caruda, mesmo que você esteja totalmente “vedada”. Por isso, caso esteja sozinha, volte ao seu hotel antes do anoitecer e saia somente se for acompanhada ou de taxi. Eles irritam tanto com o assédio que a vontade que a gente tem é de matar um a cada esquina…rs!

Lembro uma vez que estava do lado de fora do hotel esperando uma turma de guias que fiz amizade chegar, quando veio um turco falar comigo em turco. Respondi séria em português e depois dele falar em turco e eu responder em português umas três vezes, ele desistiu de mim. Amém!

Além deste fato, passei um super perrengue quando cheguei a Istambul. Antes de ir, havia pesquisado na internet guias que falavam português ou inglês e que faziam tours privados. Achei um site seguro, que me identifiquei e comecei a conversar com o guia (homem) por email. Ele falava inglês, era executivo de uma empresa de telefonia, casado, com filhos pequenos e muito bem apresentável. O sujeito é aquela típica pessoa que você acha que não vai te dar trabalho ou problema algum.

Conversando com ele e, paralelamente com a minha agente de viagens no Brasil, resolvi que não precisaria mais dos serviços dele quando chegasse em Istambul, uma vez que havia encontrado (através da minha agente) guias experientes que falavam português. Pois bem…

Como tinha demandado um certo tempo dele pedindo informações etc, ofereci (olha que sem noção! rs) um jantar a ele em troca de toda atenção e tempo que ele tinha dispendido comigo. O convite foi feito na maior ingenuidade e somente com o propósito de agradecer. Só sei que o meliante me pegou no hotel, andou um pouco comigo pela cidade, mostrando alguns pontos turísticos e contando a história da cidade até chegarmos ao restaurante. Jantamos e, na hora da conta, a peguei para pagar. Pensa em um homem bravo?

Eu, sem noção dos costumes, nunca imaginaria que uma mulher não pudesse pagar a conta de um restaurante a um homem em uma cidade que se acha tão moderna. Sei que papo vai, papo vem, negociação vai, negociação vem que acabamos rachando a conta e saindo dali. De lá, fomos ver a cerimônia de abertura do Ramadã e alguns outros pontos. Até aí, estava tranquila. Sei que ele começou depois com uns papos esquisitos e fiquei preocupada. Pedi para voltarmos para o hotel e ele foi caminhando em um sentido que não parecia ser o do hotel. Na mesma hora que percebi algo estranho com o trajeto, peguei o meu celular e acionei o GPS na frente dele falando que estávamos no caminho errado.

Na mesma hora, o maledeto viu que eu era espertinha, se fez de bobo em relação ao caminho e retornamos ao hotel. Assim que cheguei em frente ao hotel, o recepcionista saiu e veio falar desesperado comigo. “Você conhece este homem que está com a senhora? Ele tentou fazer algo? Cuidado com os homens turcos que não conhece. – Esperarei a senhora aqui fora se despedir dele”.

Sei que eles começaram a falar rudes em turco, dei tchau ao guia e entrei no hotel com o recepcionista, que estava todo preocupado.

Na real, creio que ele não me faria qualquer mal que eu não permitisse, pois tinha todos os dados dele e o registro dele estava em site brasileiro de pessoas que te acompanham pelas cidades mundo afora quando você está sozinha (o). Foi nessa confiança que eu fui e que me permitiu fazer esta doideira, mas… não recomendo a ninguém isso,

Muitas mulheres brasileiras me mandam mensagem dizendo que conheceram um turco pela internet e, se é perigoso ir até a Turquia conhecê-lo. Conto a mesma história e, sempre peço para as que insistem em viver um potencial amor turco para que ao menos nas primeiras noites fiquem em um hotel para conhecer qual é a do sujeito.

Por outro lado, tenho duas histórias de amigas que se apaixonaram por algum turco, se casaram ou tiveram um relacionamento mais sério.

Moral da história? Roleta turca, mas tome muito cuidado…

Machismo

O machismo é absurdo, principalmente fora de Istambul.

Quando cheguei a Izmir, o guia e o motorista eram homens e ficavam se contorcendo comigo, uma mulher ocidental, independente e executiva…rs! Eles queriam morrer por estarem a minha disposição, mas seguravam a pose.

Me lembro que durante os passeios, dava uma pausa para o almoço e fazia questão deles almoçarem comigo para que eu pudesse oferecer aquela refeição. Era tão sofrido pra eles que chegava a ser cômico. Claro que, de forma alguma queria provocá-los, na verdade, queria deixar a mensagem de que todos somos iguais (tolinha, eu! rs).

O machismo é muito evidente nas ruas, nos comércios e na cultura turca que até assusta, mas nenhum homem terá uma crise de machismo contigo, mulher ocidental que gastará liras turcas em seu país. O lugar que será mais bem tratada será nas “lujinhas” e mais mal tratada nos táxis.

Ah…inclusive se prepare espiritualmente e psicologicamente quando entrar em um táxi em Istambul. Eles são loucos, por várias vezes você pensará: “Agora, ele bate esse carro!”, mas nada acontecerá. Para não se estressar, bastar fechar os olhos ou ficar no celular…rs

Vai escutar uns resmungos e xingamentos com a cabeça dentro ou fora do carro, mas não se preocupe. O problema não é você e nem é com você. A situação se agrava no Ramadã, visto que eles estão sem comer e beber desde a madrugada.

Procure ter um guia exclusivo ou ande em grupos

Pelo fato de não ter a menor ideia do que seria uma mulher sozinha em um país muçulmano, contratei todos os dias guias particulares para perambular pelas cidades comigo. Foi a melhor coisa que eu fiz, já que minimizava o assédio e aquele empurra empurra de coisas para comprar.

Apesar de estar com guias mulheres, não me senti insegura ou desprotegida em nenhum momento. Muito pelo contrário, elas eram até duras quando tinham que negociar algo para mim.

Fiz um post com indicação de guia na Turquia neste link -> Dica de guia que fala português e inglês

Caso a grana esteja curta, procure fazer os passeios pelos principais pontos turísticos e lugares históricos em grupos. Tal atitude também minimiza o assédio dos turcos nas ruas.

Só uma observação aqui. Tais precauções não têm que serem adotadas porque algum turco te pegará na rua e fará algo contigo. A principal razão é o simples fato que é tão irritante o assédio deles que você acaba ficando desconfortável com a situação. Tem mulher que não liga e acha até legal para o ego, mas eu me irrito com isso…rs! –

É como se você passasse constantemente por uma obra…

Se você não liga pra isso, pode andar sozinha a vontade.

Pamukkale, Kusadasi e afins – dá pra usar biquini brasileiro?

Quem acompanhou a minha viagem da Turquia pelo diário de bordo que fiz, sabe que cheguei no país só com uma muda de roupa, tendo que ir às compras em Kusadasi enquanto a minha mala dava um volta em Paris. Conclusão: tive que usar biquini turco! Ele era grande, mas tão bonitinho…rs

Não fiquei de olho nos traseiros alheios, mas é tranquilo usar nossos biquinis por lá, desde que não sejam minúsculos. Em lugares como Pamukkale e Kusadasi, você encontrará muito mais turistas como você e, a probabilidade de um turco vir te assediar é muito menor.

Toilette

Não se assustem quando entrarem no toilette e encontrarem uma fossa ao invés de uma privada. Isso é muito comum no interior da Turquia e em muitos lugares da Europa, como o estádio San Siro em Milão. Já se prepare psicologicamente e treine a mira e as pernocas.

Esta foto foi tirada no aeroporto de Izmir.

Bom meninas, espero ter sanado as principais dúvidas. Caso tenha faltado algum item, só escrever nos comentários que eu atualizo o post.

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