Previdência privada – vale a pena ter?
15/02/2017 2 comentários

Previdência privada – vale a pena ter?

Com todas estas mudanças no cenário previdenciário, cada vez mais as pessoas tem buscado planos de previdência privada para garantir o seu descanso dentro do prazo que até então era esperado. Mas, será que vale a pena colocar nosso dinheiro neste tipo de investimento?

Conversando com a Gardens por estes dias, ela me contou que bateu um papo com sua gerente de banco sobre uma eventual portabilidade de previdência privada, pois está insatisfeita com o plano que possui. Como é um assunto do momento e muitas pessoas tem dúvida se faz ou não um plano de previdência privada, ela me sugeriu que abordar este assunto no blog.

Bom, lá fui fui eu correr e começar a construir o texto na minha cabeça. Depois de muito pensar, decidi que não ia falar sobre portabilidade, mas sim falar para as pessoas fugirem da previdência privada…rs

No momento da leitura, você deve estar pensando o seguinte (a reação da Gardens foi a mesma): “Como assim, Fon? Fugir da previdência privada? Mas, a previdência pública não está quebrada?” – Muita calma, meu querido leitor, você entenderá e provavelmente concordará comigo depois de ler o texto de hoje. Preparados?

Bom, segundo o dicionário Aurélio, previdência é a faculdade ou ação de prever, ou seja, você está prevendo que um dia se tornará da melhor idade e precisará de um dinheiro para se aposentar e desfrutar do que a vida lhe oferece.

Antes de falar na previdência privada, não poderia deixar de contextualizar o cenário da previdência pública em nosso país.

No momento, tramita no Congresso Nacional, a proposta de emenda à Constituição 287/2016 sobre a reforma da previdência pública. Dentre várias mudanças propostas, as que estão deixando os trabalhadores mais apreensivos são com relação a elevação da idade mínima e o aumento do tempo mínimo de contribuição para conseguir a tão sonhada aposentadoria.

Caso o projeto seja aprovado, homens com menos de 50 anos e mulheres com menos de 45 anos e que contribuem com a previdência, serão submetidos as novas regras. As pessoas que já possuem os requisitos para a aposentadoria, não serão afetadas caso aposentem antes da reforma. Já as pessoas que estão acima das faixas da nova regra, terão uma regra diferente conhecida como “pedágio” para se aposentarem.

Crédito da Foto: www.saibaseusdireitos.org

Apesar da proposta ser ótima para a reestruturação do nosso país, pois do jeito que a previdência pública se encontra quebrará o Brasil, ela não será nada compensadora para o bolso dos contribuintes e, por isso aconselho veemente que você, investidor sensato, faça uma previdência.

Perceba o que eu falei, faça uma previdência (poupe para desfrutar na melhor idade). Não disse faça uma previdência privada. Mas então por que não, Fon?

Com um pouco de conhecimento podemos montar a nossa própria previdência com uma rentabilidade muito maior, obter taxas muito menores, uma carteira muito mais diversificada, além de mais liquidez para poder resgatar o investimento em qualquer momento. Pensando nisso tudo, escrevo  4 motivos para você fugir da previdência privada.

  1. Altas taxas

Numa previdência privada existem diversas taxas cobradas, como a taxa de carregamento, de administração, de saída e infelizmente quanto menos dinheiro você tem, mais alto essas taxas são. Além disso, dependendo da taxa cobrada, as vantagens ficais são completamente anuladas.

  1. Há muitos riscos

O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) cobre investimentos como poupança, CDB, LCI, LCA até R$250.000,00 caso a instituição que está oferecendo esses investimentos quebre, ou seja, se a instituição for a falência, você receberá o seu valor investido até R$250.000,00.

Já, um plano de previdência não possui a garantia do FGC, ou seja, se a instituição falir, o seu dinheiro vai para o ralo.

  1. Rentabilidade baixíssima.

Uma busca rápida na internet, pode trazer diversos investimentos muito mais rentáveis que um plano de previdência privada, como por exemplo o Tesouro Direto.

O mais assustador foi analisar através do sistema de fundos Quantum Axis, que nos últimos 10 anos, o CDI(referencial conservador) marcou 183% e somente 43 do 1.330 fundos que recheiam os 991 planos de previdência da Brasilprev superaram o CDI. Ou seja, cerca de 95% dos fundos de previdência privada estão perdendo para a rentabilidade do CDI.

  1. Investimento estagnado.

Quando você fecha com o seu gerente o seu plano de previdência privada, você está assinando um documento que durante vários anos trará o mesmo rendimento, ou seja, você estará estagnado sem conseguir se adaptar as mudanças na economia, ou mesmo investir em possíveis outros produtos mais interessantes.

Então, Gardens, o meu conselho para você não é trocar sua previdência privada de instituição, mas sim pedir o resgate para sua gerente e investir em ativos de maior rentabilidade. E para você leitor, faça o mesmo e, caso ainda não tenha uma previdência, comece a sua o mais rápido possível para poder desfrutar na melhor idade.

Pitacos da Gardens – Por que decidi ficar ainda na previdência privada? 

Pessoal, tudo bem? Quando li o texto do Fon quase caí pra trás, mas concordo que tem argumentos muito fortes e consistentes para que eu fuja de um plano de previdência privada. Bom, como sou conservadora e de uma geração que ainda pensa que aposentadoria, casa própria e segurança futura não se deve abrir mão, continuarei com o meu plano de previdência (naquelas), mas monitorando a rentabilidade, obviamente.

A previdência privada que possuo atualmente é oriunda de um plano feito há longa data na empresa em que trabalhei por mais de 15 anos. O valor de contribuição que fazia (2% do meu salário) era o mesmo que a empresa colocava no mês, ou seja, plano feito para quem se aposentará por lá. Este tipo de previdência é uma boa opção, mas precisa checar sempre se a rentabilidade do fundo de previdência privada que investe é o mesmo que a empresa investe – Como assim, Gardens? – Muitos vão se identificar comigo agora…

Bom, como eu colocava contribuições mensais pequenas dentro da minha remuneração e a empresa também, não me preocupava com as características e rentabilidade do fundo que investi lá no começo. Nem lembrava que teria que checar isso, nem lembrava que tinha previdência, na verdade. Já a empresa, não. Se a modalidade do fundo de previdência não estivesse rentável, ela monitorava e mudava. – Moral da história? – Quando decidi mudar de vida e ir embora, resolvi checar a questão “previdência privada” e percebi que o fundo que a empresa investia no plano tinha rendido muito (mas) muito mais que o meu. Naquele momento, de imediato (cuidado com o timing), mudei o fundo e me livrei de ter um treco…rs

Como sei que investir em previdência atualmente e individualmente pode não ser uma boa ideia, optei em manter o meu plano, mas sem colocar contribuições adicionais. Ele até tem um bom rendimento, mas poderia ser melhor. Com isso, pedi sua portabilidade para um outro plano com uma rentabilidade superior e taxa de administração menor.

Mas como saber se o meu plano é mais ou menos rentável que outros planos, Gardens? Simples! Tenha o CNPJ do seu plano de previdência privada em mãos e converse com seu gerente. Procure bancos de investimentos e corretoras para te apoiar e fazer o comparativo com outros planos do mesmo gênero, pois as taxas e rentabilidades são mais atrativas.

Outros três pontos que quero destacar, como contadora e ex auditora conservadora que sou (rs), são:

1 – a volatilidade do mercado financeiro tanto pra cima quanto pra baixo é alta e, por isso, os planos de previdência privada podem em sua maioria até não ser o melhor negócio hoje, mas amanhã nunca se sabe. Como não sou mais uma contribuinte de previdência pública via CLT, o que me questiono atualmente é se faz sentido eu continuar contribuindo de forma independente para tal plano de previdência.

Já são mais de 20 anos de contribuição, mas com as novas regras, entro no bolo dos “desfavorecidos” com a mudança. Oremos! rs

2 – apesar do plano de previdência privada ter que ser encarado como um fundo, um tipo de investimento (que na verdade é, mas com outro nome e algumas regras distintas), ele não entra em inventário. Macabro? Sim, mas é necessário pensar nos herdeiros também..rs

3 – não vale a pena hoje eu tirar o dinheiro que tenho da previdência privada e colocar em outro investimento, pois a taxa de saída ainda é alta, mesmo sendo participante da previdência há anos. Fiz as contas e perderia grana. Turca (“zurga”) que sou, no way! Deixa ele lá, mas sempre monitorado agora…

Será que a Gardens te deixou na dúvida ou o Fon te convenceu? Polêmico, do jeito que a gente gosta de ser…

Até a próxima semana 😉

 

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