Por que andar de elefante não é uma boa ideia?
21/05/2018 4 comentários

Por que andar de elefante não é uma boa ideia?

Hoje é dia de falar de um assunto muito sério: Por que andar de elefante não é uma boa ideia?

Claro, que muitos que planejam sua viagem à Ásia, pensam logo em fazer o famoso e típico passeio de elefante, que é muito popular em países do sudeste asiático, principalmente, na Tailândia, entretanto, é preciso ter muito critério, mas muito critério mesmo na escolha de como fazer o passeio e com quem, já que a crueldade e os maus tratos são muito comuns.

Foto: Oficial Peta.org

Não é de hoje que ouvimos falar sobre estes tais maus tratos aos animais, que independentemente de sua aparência, são escravizados a vida toda, treinados exaustivamente para realizarem atividades que não lhes são naturais e que, por consequência causam grande sofrimento. Justamente por saber dessa situação, fiz questão de fazer uma boa pesquisa quando viajei para a Indochina, lendo muitas matérias sobre o assunto e procurando por recomendações para poder conciliar meu desejo de estar próxima desse animal tão maravilhoso, mas ao mesmo tempo, ter a consciência limpa, sabendo que estão felizes e bem tratados.

Como experiência, aqui vai minha primeira mensagem para quem quer seguir a mesma linha: não se engane pelas aparências. Elefantes podem estar perfeitos fisicamente, mas como não são animais domesticáveis, passam por um sofrimento terrível.

Animais felizes andam livres por aí.. Não acorrentados! Foto: pinterest

Chamado de Phajaan pelos locais, o processo  de “domesticação” é tão terrível que em inglês é chamado de “breaking the spirit of elephants”, que quer dizer quebrando a alma dos elefantes. Em suma, trata-se de um treinamento cruel que começa bem cedo, quando ainda muito jovens. Os filhotes são separados de suas mães e mantidos presos pelas patas em um espaço minúsculo para não se movimentarem, são constantemente surrados, ameaçados, tratados com gritos, com períodos de falta de comida e água (pensem no sofrimento desse animal, que em média pode pesar mais de 7 toneladas, que solto na natureza caminha o dia todo, e que come entre 70 a 150 kg de comida por dia). Após passar meses (até anos) nesta situação, os elefantes se entregam e passam a ser completamente obedientes, tornando-se fiéis ao mahout, que será seu treinador para o resto da vida.

Este tal mahout é visto como salvador, pois será a pessoa que o soltará e lhe dará comida e carinho pela primeira vez. Por conta dessa docilidade e submissão é que dizem que os elefantes perdem sua alma, já que se mostram como robôs que obedecem as ordens de forma automática e totalmente sem resistência.

Matéria do Daily Mail. mostra Sambo, no Camboja, morto de exaustão após trabalhar por horas carregando turistas até o templo de Angkor Wat, sob um calor de 40º. Eu vi esses elefantes trabalhando e fiquei com o coração partido!

Segunda mensagem do post: da próxima vez que ver um elefante sendo usado para passeios montados, pintando quadros, fazendo coisas engraçadas ou servindo de atração em um circo, lembre-se de que é um elefante cuja alma foi retirada.

Marina Ruy Barbosa foi super criticada ao postar uma foto na Tailandia com elefante fazendo pinturas, mostrando o treinador segurando um gancho de ferro pontiagudo! Ela acabou apagando a postagem.

Se você quiser saber mais detalhes sobre como é o processo de Breaking the spirit dos elefantes clique aqui e leia um artigo mais completo e veja o vídeo abaixo (cuidado algumas cenas são fortes):

Por que andar de elefante não é uma boa ideia? 

  1. Elefantes não esquecem, tem memória e sofrem com elas;
  2. Elefantes que são forçados a trabalhar desenvolvem comportamentos compulsivos (ficam andando em círculos sem parar, por exemplo);
  3. A população de elefantes selvagens no mundo caiu drasticamente. O Laos antigamente conhecido como a terra dos elefantes, hoje em dia tem menos de 1.000 (sim, mil) elefantes selvagens;
  4. Elefantes são animais que vivem em sociedade matriarcal, e a separação dos bebês elefantes causa imenso sofrimento a todos da família, causando depressão, o que os leva a não se alimentarem;
  5. Por carregarem peso o dia todo, apresentam sérios problemas de saúde que afetam desde sua coluna, que não foi feita para carregar peso, até problemas articulares nos pés e patas, além de machucados causados pelas cadeiras e pelas correntes.

Mas então não dá pra fazer esses passeios? Dá sim! É só escolher um passeio que respeite os animais

Agora que você sabe da crueldade envolvida por trás das atividades que envolvem elefantes, tenho uma notícia boa: dá sim pra fazer passeios de elefante sem ser conivente dessa agressão. Claro que em um mundo perfeito, os animais seriam livres e cresceriam soltos por aí, mas infelizmente essa não é a  realidade. Por isso, o que devemos fazer é procurar entidades que resgatam e abrigam elefantes vítimas de abusos, os quais, por motivos óbvios seriam incapazes de sobreviver soltos na natureza, já que tornaram-se totalmente dependentes dos humanos.

É só fazer uma boa pesquisa e escolher o lugar certo! Dá pra fazer vários tipos de passeios, mas nada de subir em cima dos elefantes e continuar incentivando esta agressão, ok? É muito mais divertido interagir com eles em seu habitat, alimentá-los e até dar um banho e brincar com a água.

Na Ásia existem vários lugares que se apresentam como santuários, mas cuidado, pois muitos, não o são na prática. Para ter certeza, basta verificar o tipo de atividade que eles estão oferecendo. Se incluir subir em elefantes ou qualquer truque ou performance (pintar quadros, fazer poses, se pelas fotos os animais estiverem acorrentados ou com cadeirinhas, fuja!). O verdadeiro santuário não força os animais a fazerem nada e priorizam justamente o animal, e não o turista.

E foi assim, analisando diversos santuários, que dentro do meu roteiro que incluía Laos, Vietnã e Camboja que escolhi a Mandalao Elephants em Luan Prabang, no Laos. Primeiramente, por ser uma das únicas empresas que NÂO oferecem “ride elephants” (assim são chamados os passeios para andar de elefante). A proposta desta ONG, que trabalha com animais resgatados de situações de maus tratos, é propiciar as pessoas o convívio com os elefantes em seu habitat natural, acompanhando as atividades que eles naturalmente fazem em seu dia o dia. Em outras palavras, você caminhará ao lado deles, na trilha diária que fazem pelo rio, poderá tomar banho de rio e brincar de jogar água, dar bananas e outras frutas e também vê-los interagir livres na natureza, o que inclui assisti-los esmagando galhos de cana de açúcar e brincando entre si. Tem coisa mais divertida e ao mesmo tempo natural?

Conhecendo o trabalho maravilhoso do Mandalao, pela boca do próprio fundador!

Eles oferecem dois tipos de passeio: um de meio dia e outro de dia inteiro. São sete elefantes e um filhote, sendo o grupo de no máximo oito pessoas, o que é muito bom, pois garante praticamente um elefante por pessoa (uh hu!).

O trabalho deles é muito, muito sério. Um dos fundadores, o Sr. Prasop Tipprasert que tive o prazer de conhecer durante o meu passeio, esparrama paixão enquanto espalha palavras de conscientização no início do passeio. Ele faz  questão de fazer recepcionar todos pessoalmente com um café quentinho. Interessante que ele ao contar sua história começa dizendo que já treinou muitos elefantes quando jovem, mas depois percebeu que não era o caminho certo e começou esse lindo trabalho junto ao National Park Service, na Tailândia. E assim, foi um dos pioneiros a mudar de lado e proteger os animais  conseguindo expandir esse trabalho para o Laos.

Enquanto ouvimos as histórias da ONG, vemos os elefantes chegando devagarinho… difícil segurar a ansiedade pra não sair correndo!

O passeio só começa depois do discurso de abertura do Mr. Prasop. Na sequencia, o grupo de no máximo oito pessoas segue para o outro lado do rio, onde encontraremos os animais. Durante o discurso, podemos ver os animais caminhando lentamente em direção a beira do rio. Confesso que depois que os vi, foi difícil de prestar atenção rs.. A travessia é feita de bote, calçando as botas fornecidas pelos guias. Recebemos as instruções práticas, mas a principal é nunca ficar atrás dos animais para evitar acidentes. Eu não me contive, no primeiro minuto já foi amor a primeira vista! Olha a cara de felicidade:

Amor a primeira vista!

Nessa hora podemos entrar com eles na água e brincar de jogar água. Eles revidam também, portanto, não tem como não se molhar! É perceptível o tanto que eles adoram essa brincadeira. Na sequência começa a caminhada, um trekking de aproximadamente 1 hora, beirando o rio, por entre a mata e respeitando as paradas naturais. É muito interessante vê-los caminhando livremente, escolhendo onde pisar, vendo o bebê todo desajeitado pelo caminho, muitas vezes sendo ajudado pelos adultos.

Muitas baldadas de água! eles adoram!

No fim todo mundo sai molhado, e feliz!

No fim do trekking, que pode chegar a duas horas, o grupo se divide. Quem escolheu passeio  de dia todo é levado para a área do almoço. Nada mais do que uma barraca no meio da mata, onde o almoço é servido quentinho, embrulhado em folhas de bananeira e compartilhado entre todos. Esse grupo é ainda mais limitado, sendo de no máximo 4 pessoas. Os animais também aproveitam para comer (comeram o caminho todo e, neste momento ganham bambus de cana de açúcar). A alimentação deles é 50% obtida por meios próprios da floresta e 50% fornecida pela ONG, uma forma de garantir que obtenham todos os nutrientes necessários e uma dieta balanceada.

Após um breve descanso, a caminhada continua, com uma parada em uma cachoeira, uma parada para distribuição de bananas (eles ficam loucos), tentam roubar a banana, rodeando com a tromba. São danados! O passeio continua já no caminho de volta, terminando por volta das 14hs. Não queria me despedir de jeito nenhum!

Coisa boa, no entanto é poder terminar o passeio feliz da vida por ter tido essa experiência e sabendo que o valor pago será muito bem usado para garantir o bem estar desses animais e que será utilizado também no processo de conscientização e mudança da indústria do turismo!

A difícil hora de dar tchau! Juro que se coubesse na mala eu trazia!

O que você pode fazer para ajudar?

  1. Não subsidie nenhum tipo de atividade de turismo que demande trabalho escravo de animais;
  2. Certifique-se de contratar passeios junto a ONGs de confiança, que realmente trabalhem com animais que foram resgatados;
  3. Compartilhe essa situação com amigos e conhecidos, quanto mais gente souber, maior a conscientização!
  4. Apoie a causa, fazendo parte de abaixo assinados contra violência animal ou sendo doador de ONG´s que trabalhem em prol destas causas (clique aqui para ir para a página da Peta e assinar o abaixo assinado global pedindo as empresas de turismo que deixem de vender este tipo de atividade) https://www.peta.org/blog/9-jumbo-reasons-to-avoid-elephant-rides/). O legal é que empresas de turismo como a Trip Advisor se juntaram a causa e anunciaram em 2017 que não vão mais intermediar a venda de passeios desse tipo. É uma vitória!
  5. Denuncie os maus tratos, caso testemunhe abuso ou maus tratos.

Eu queria dividir estas informações com vocês, pois seja qual for sua decisão ao escolher seu passeio, é importante que ela seja feita considerando todas as informações pertinentes. Eu mesma já fiz um passeio de elefante, em um santuário na África do Sul, por na época, não ter consciência do processo doloroso e da vida privada que esses animais são obrigados a ter. Não me arrependo, pois tive o cuidado de escolher uma empresa que também cuidava de elefantes resgatados de circo e que falharam ao serem reintroduzidos na natureza, além do passeio ser limitado a apenas um por dia. Faria hoje? Não, com certeza!

Consciencia limpa de ter feito meu dever de casa e escolhido o lugar certo pra conhecer de perto esses animais fantásticos

Termino deixando aqui o link para quem quiser saber mais do trabalho da Mandalao.

http://www.mandalaotours.com/

Foto: oficial Mandalao

Um bj!

Créditos das fotos, exceto quando indicado na legenda: Acervo Pessoal Luci Orkov

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