Japão: dicas essenciais para planejar sua viagem

Japão: dicas essenciais para planejar sua viagem

Muitos tem o país na wishlist, mas montar o roteiro Japão não é algo tão simples. Um dos motivos é que tem muita coisa pra ver em um curto espaço de tempo. Eu e o marido passamos quatro semanas por lá e mudamos várias vezes a rota.

Voltei cheia de dicas essenciais que te ajudarão a montar o roteiro para o Japão e planejar sua viagem sem passar perrengue. Muitas delas estão registradas em nossos Stories no Instagram. Procure pela aba Japão nos destaques de nosso perfil.

Foram 27 dias de muitos passeios e muita cultura local, ou seja, uma verdadeira imersão. Resultado? Voltei apaixonadaaaaa e querendo voltar!  Claro que sou suspeita para falar. Afinal, sou mestiça (pode acreditar…rs). Meu avô viajou três meses de navio até chegar nestas terras tropicais nos idos dos anos 40.

Por  conta disso, esta viagem foi muito desejada, muito esperada e planejada nos detalhes por mim. Fiz questão de fazer o roteiro Japão nos mínimos detalhes para que pudesse aproveitar e conhecer o país da melhor forma possível.

POR ONDE COMEÇAR?

1 – ROTEIRO

Li e pesquisei muito em vários blogs de viagem, assim como, no Trip Advisor e no Instagram. Além disso, estudei todos os roteiros prontos possíveis e imagináveis para poder chegar a uma conclusão.

Se você está na fase de planejamento ou tem a intenção de ir em breve, prepare-se com antecedência. Esta é a primeira dica que quero dar a vocês.

Nara é uma cidade que dá pra fazer bate e volta, por exemplo. Vale a pena ir só por conta dos bambis, que andam livres pela cidade toda!

Enfim, depois de pesquisar bastante, escolhi as cidades e defini mais ou menos quantos dias queria ficar em cada lugar, de acordo com minhas prioridades, que eram:

  • Desbravar toda pluralidade de Tóquio;
  • Conhecer o lado mais tradicional de Quioto, além de ver as “gueixas”;
  • Ter a melhor vista do Monte Fuji;
  • Conhecer de perto Hiroshima e a sua triste história;
  • Ver o tão famoso Torii alagado de Miyajima;
  • Visitar os castelos de Himeji e Osaka (um dos símbolos do Japão);
  • Ir à Nagano e ver o seu onsen de macacos da neve;
  • Conhecer a tal liberdade dos bambis em Nara

Templo em Kyoto

COMO FICOU A ROTA?

Com base nas minhas prioridades, afinei a pesquisa para encaixar quantos dias ficaria em cada cidade. Desta forma, o esqueleto do roteiro Japão ficou assim:

  • Dubai – 1 dia (1 noite)
  • Tóquio – 6 dias
  • Monte Fuji – 1 dia (1 noite)
  • Nikko – 1 dia
  • Nara – 1 dia
  • Nagano – 1 dia
  • Kyoto (Quioto) – 4 dias
  • Osaka – 5 dias
  • Himeji – 1 dia
  • Miyajima – 1 dia
  • Tóquio – mais um dia para regressar ao Brasil

2 – PASSAGEM AÉREA

Com o esqueleto do roteiro Japão pronto, hora de comprar as passagens. Aqui, aquela máxima: quanto antes, mais barato é uma verdade. Como todos sabem a viagem é muuuuito longa. São mais de 24 horas de viagem, incluindo a conexão, que geralmente é em Dubai (no meu caso que fui de Emirates) ou Nova Iorque ou Atlanta (no caso das companhias aéreas americanas).

Em qualquer uma delas, o tempo da conexão é de no mínimo três ou quatro horas.Por isso, logo que fechar seu roteiro e época que quer ir, inicie a pesquisa pelas passagens.

DICA ESPERTA 1

Antecipe a compra da passagem o máximo que puder. Caso possa, escolha a Emirates, pois os aviões são todos novos. O avião da primeira perna, indo por Dubai é um Boing 777. Já o da segunda perna é um Airbus A380. Ambos figuram na lista de aviões mais confortáveis para quem viaja de classe econômica.

Outro ponto positivo é o serviço de bordo. Todo mundo ganha kit de amenidades, assim como, acervo de filmes e outros conteúdos de entretenimento, que é enorme. Além disso, a comida tem qualidade bem superior às demais.

DICA ESPERTA 2

Avalie um #stopover (pernoite) na conexão, que foi o que fizemos. Na ida, pernoitamos em Dubai, chegando em um voo bem cedinho. Ou seja, conseguimos descansar, passear o dia todo e conhecer outro destino na mesma viagem. No dia seguinte, embarcamos para Tóquio na 1a. hora.

Na volta não paramos para não perder um dia de Japão (rs). Mas aqui fica a dica de fazer o stopover em pelo menos uma das pernas.

DICA ESPERTA 3

Evite viajar para o Japão na Golden Week, que é uma semana de feriados nacionais que inicia em 29 de Abril e vai até dia 6 de Maio. Neste período, todos os japoneses viajam pelo país, principalmente, para visitar seus parentes. Ou seja, fica tudo lotado.

Outra época que não é aconselhável é durante a temporada de tufões, que geralmente ocorre entre setembro e outubro. Além disso, julho também não é um dos melhores meses por conta da chuva. Então é importante  consultar as condições climáticas antes de agendar sua viagem.

3 – VISTO

É super tranquilo conseguir o visto japonês. Caso more em São Paulo, pode fazer diretamente com o pessoal da HIS Brasil. A HIS é uma das maiores agências do Japão. Eles checam toda documentação e enviam à embaixada. Em dois dias, o visto está pronto.

Nas cidades de Belém, Brasília, Curitiba, Manaus, Porto Alegre, Recife e Rio de Janeiro tem consulado japonês. Mas caso não more em nenhuma destas cidades, pode providenciar o visto através de um agente de viagens ou despachante credenciado.

A documentação para tirar o visto japonês é a seguinte:

  • declaração de Imposto de Renda;
  • cópia do extrato bancário dos últimos três meses;
  • comprovante de endereço;
  • formulário de requisição;
  • cópia da passagem aérea;
  • passaporte válido e foto.

Entretanto, para evitar qualquer contratempo, cheque no site as informações e documentações para ter certeza de que tem tudo em mãos.

JR PASS

Com a passagem e visto em mãos, hora de afinar o roteiro e planejar a logística entre as cidades. É essencial que você adquira o #JRPass, um passe vendido somente para visitantes estrangeiros durante sua estadia no Japão.

O passe dá dá direito a viagens ilimitadas no sistema de trens de todo o país, assim como em algumas balsas “ferries” e linhas de ônibus também. Além disso, cobre diversas companhias de trem, incluindo os shinkansens (trens bala) e os express. Mas é preciso checar sempre no site oficial, pois não inclui por exemplo os trens-bala chamados Nozomi e Mizuho. O JR Pass pode também ser utilizado para andar de Metrô.

Uma informação super IMPORTANTE. O bilhete precisa ser comprado ainda no Brasil e é emitido somente após apresentação do visto. Consulte as regras de utilização e cobertura do JR Pass aqui!

O bilhete é emitido por períodos: 7 dias, 14 dias ou 21 dias e tem data fixa. Ou seja, precisa saber a data de início da utilização, pois é a partir dela que a contagem do passe começa. Por ser um bilhete de viagens ilimitado, o investimento é alto portanto. Por isso, é fundamental que planeje a vigência do seu bilhete de acordo com seu roteiro.

ATENÇÃO ANTES DE COMPRAR O JR PASS

Eu, por pura preguiça, confesso que já ia comprar o de 21 dias, fazendo a conta simples (e burra) de que estaria coberta 21 dias, dos 27 dias da viagem. Ledo engano! Nessa etapa acabei conhecendo a Piti do Peach no Japão, que é uma brasileira que mora em Tóquio e foi quem me ajudou a ajustar o roteiro. Com isso, em vez de comprar o bilhete de 21 dias, acabei comprando o de 14 dias. Vejam a diferença nos valores:

Esta é a tabela de preços da HIS, que muda periodicamente com base na cotação do dólar. Nesta brincadeira, acabei economizando US$ 181 dólares. Ou seja, não tem como não investir umas horinhas no estudo do roteiro antes de comprar o JR Pass.

QUAL A DIFERENÇA ENTRE O GREEN CARD E O ECONÔMICO (ORDINARY)?

O Green Card é o passe que dá direito a embarque no vagão de 1ª. classe, em que os assentos são muito mais espaçosos. Além disso, você consegue reservaseu assento com antecedência e os trens tem serviço de bordo.

Já o Ordinary (econômico) não tem assento marcado. Ou seja, dependendo da época, há o risco de não ter lugar no trem. Nesta categoria, os vagões são mais simples e o assento não é tão grande. Além disso, não há serviço de bordo.

Eu, por exemplo, decidi comprar o Green para ficar mais tranquila quanto a garantia de lugar nos trens nos horários que queria. Até porque estava no Japão durante a época das cerejeiras. Caso opte por comprar o bilhete mais econômico, não se preocupe porque os vagões econômicos são confortáveis, pelo que bisbilhotei.

AJUSTE DO ROTEIRO PARA COMPRAR O JR PASS

Com o roteiro em mãos, pesquise todos os traslados entre as cidades. O site Japan Guide me ajudou bastante. Para saber a cobertura de trens, cheque os trechos pelo site Hyperdia. Ele dá todas as opções de trem disponíveis, os horários, assim como os preços.

Na hora de fazer a pesquisa pelo Hyperdia é importante ajustar os campos de busca, retirando as opções que não são incluídas no JR Pass, como por exemplo, o Nozomi / Mizuho. Tem que ficar assim:

PRESTE MUITA ATENÇÃO NESTE QUESITO

Consulte trecho por trecho, mas não esqueça de considerar a ida e volta. Anote tudo em uma planilha pra ficar mais fácil. Só fazendo isto é que você poderá avaliar se vale a pena comprar, pra onde e para quantos dias o JR Pass. No meu caso, só as passagens de 3 cidades já faziam valer a pena a compra do passe, por exemplo.

Mas isso vai depender muito do seu roteiro. Tem cidades em que a locomoção de ônibus ou de avião vale mais a pena. Por isso, é importante checar direitinho seu roteiro e comparar com a cobertura do JR Pass. Se necessário, inverta inclusive as datas das cidades para caber no período de cobertura do passe.

No meu caso, por exemplo, depois que fiz todos esses cálculos, decidi ficar os primeiros dias em Tóquio. Não é vantajoso utilizar o JR Pass na capital japonesa, assim como, não é vantajoso utilizar para ir ao Monte Fuji e Nikko (é melhor ir de ônibus), portanto, fui utilizar o passe somente a partir do décimo dia de viagem. Ou seja, utilizei o passe por 13 dias.

De qualquer forma, essa pesquisa também é importante para planejar os tempos de translado entre uma cidade e outra. Até mesmo pra decidir se vai viajar de manhã, de noite ou se vai pernoitar. Eu usei muito o site do Hyperdia, até baixei o aplicativo no celular para poder consultar a qualquer hora. O app atualiza inclusive se houver atraso no trem (o Google também faz isso).

COMO TROCAR O VOUCHER PELOS BILHETES?

Um detalhe importante é que receberá da agência um voucher que precisará ser trocado pelo JR Pass em uma das agências autorizadas no Japão. Lá eles vão carimbar uma espécie de passaporte e é com este documento que embarcará em todas as viagens.

Se comprar o bilhete Green, poderá reservar lugar em todos os trens. Por isso, receberá os tickets de cada trecho com os números dos assentos reservados. Na versão econômica, não precisa reservar o trem, mas também não tem assento marcado. Ou seja, não tem garantia de que poderá embarcar caso o trem esteja lotado.

A troca pode ser feita nas estações da JR, que geralmente ficam ao lado das estações de trem. Chegando em Tóquio, você pode fazer a troca nas seguintes estações de metro/JR: Tokyo, Ueno, Shibuya, Shinjuku, Shinagawa e Ikebukuro.

DICA IMPORTANTE

Após definir os trechos e os horários de cada translado, imprima as páginas do próprio site. Assim ao trocar seu voucher pelo passaporte do JR Pass, se tiver optado pela versão Green, já pode fazer as reservas dos trens. Isso vai facilitar muito o processo de agendamento. No meu caso, a atendente fez tudo certinho sem fazer nenhuma pergunta.

5 – HOTÉIS

É muito importante reservar seus hotéis também com a maior antecedência possível, principalmente, se optar por ficar em um #ryokan. Para quem não conhece, ryokan são aqueles hotéis tradicionais, com futons no chão ao invés de camas. Na diária, geralmente estão inclusos um jantar típico servido no quarto, e o #yukata, uma vestimenta japonesa para utilizar nas dependências do hotel durante sua estadia. Um luxo e uma experiência única que você só viverá no Japão!

Dependendo da época da sua viagem, você precisa reservar com seis meses de antecedência, por exemplo nos meses de março e abril que é alta temporada por causa das cerejeiras #cherryblossom, ou novembro, por conta das folhagens vermelhas de outono.

Nosso hotel no estilo ryokan com vista para o Monte Fuji oferecia além das roupas típicas chamadas #Yukantan, onsen publico para os pés (na foto), onsen particular em alguns quartos, além dos onsens femininos e masculinos.

Para reservar os hotéis, pesquise os melhores preços no Booking. com. Além de ter a chance de cancelar a reserva gratuitamente, pode conseguir descontos de até 50%. Clique aqui para ver as opções.

6 – INTERNET 

Item indispensável na sua viagem para se locomover, assim como para traduzir as coisas do dia a dia. Saiba que saindo de Tóquio, poucas pessoas falam inglês.

Com exceção das placas das estações de trem e metrô, que são todas em japonês e inglês, você não vai encontrar muitas informações em inglês. No supermercado, praticamente nada. Esqueça tentar ler os rótulos de alimentos e cosméticos rs. Dependendo do restaurante, vai ter menu em inglês, mas saindo das cidades mais turísticas, fica bem difícil.

A sorte é que lá no Japão tem maquete dos pratos em quase todos os restaurantes. Em compensação, no quesito locomoção, é praticamente impossível encontrar alguém que fale inglês a ponto de te dar direções de como chegar a algum lugar. Apesar que o povo é tãããão hospitaleiro, que te pegam na mão e são capazes de andar quarteirões pra te mostrar o caminho. Mas você não vai abusar desta gentileza, certo?

As maquetes de comida nas portas dos restaurantes salvam vidas!

Por isso, estar conectado é fundamental e por lá o Google funciona que é uma maravilha. Te dá as formas de locomoção certinhas, inclusive qual a entrada ou saída do metro utilizar. Isso é muito importante, pois acreditem ou não, há estações com mais de 20 saídas, ou seja, se você sair pela errada, poderá ter de andar muito mais!

Pocket Wi-Fi

Uma das formas mais comuns de ficar conectado é o aluguel de modems 4G. O chamado ‘pocket wi-fi’ é um serviço bastante popular pelo país. É bem mais fácil do que comprar um chip. Uma grande vantagem é que com ele, você pode rotear a internet via wi-fi para mais de um celular, com plano de dados ilimitados ou não.

Aluguei o meu pela HIS Brasil e mandei entregar no primeiro hotel de Tóquio. A devolução foi feita pelo correio em um envelope. O processo é muito simples, já que basta despachar o equipamento numa das caixinhas dos correios nos aeroportos, ou pela cidade.

DICA ESPERTA

Alguns hotéis no Japão oferecem telefone celular com conexão a internet já inclusa na diária do hotel. Ou seja, poderá usar livremente o aparelho durante toda sua estadia. Como estava com o pocket wifi, acabei usando pouco, deixando mais como back up caso a bateria do wifi acabasse, mas isso acabou não acontecendo. A bateria do bichinho era suficiente para o dia todo, mesmo usando bastante. 

7 – MALAS

Dependendo do seu roteiro, inevitavelmente viajará muito de trem (taxi no Japão é caríssimo). Como todas as estações são conectadas com Metrô e, provavelmente, utilizará muito transporte público é importante viajar com malas adequadas. Desta forma, uma mala média e uma mochila serão mais do que suficientes para sua viagem.

Além disso, um detalhe importantíssimo. Os trens do Japão não têm espaço para malas como os trens europeus, por exemplo. Tivemos sorte, pois como viajamos de 1a. classe, o trem sempre estava vazio e então colocávamos nossas malas nos assentos vazios. Sinceramente, não sei como seria nos trens econômicos.

Outra coisa, várias estações de metro não tem escadas rolantes. Aí, já viu né? Mala grande vira um sufoco!

DICA ESPERTA 1

Todos os hotéis que ficamos ofereciam serviço de lavanderia ou tinham máquinas de lavar nos andares. Tais máquinas funcionavam com moedas, super prático.

DICA ESPERTA 2

Todas as estações de trem e Metrô possuem lockers, Todos são pagos com moeda, por hora ou diária. Mas, calma. Se você não tiver moeda, procure as máquinas que trocam dinheiro. Sempre vai ter uma por perto. Claro que até nisso os japoneses pensaram…rs

Os lockers tem tamanhos diferentes e são grandes o suficiente para caber as malas maiores.

8 – DINHEIRO OU CARTÃO?

Pergunta importante com resposta surpreendente. Quem pesquisou bastante já sabe que no Japão o dinheiro em papel e em moeda é largamente utilizado. Fato que nos leva a encontrar diversos lugares que só trabalham com dinheiro vivo. Ou seja, nada de cartão de débito ou crédito.

Pasmem, mas nesse sentido, os japoneses são tradicionais. Isso acontece, pois muitos restaurantes e lojas são tocados por famílias. Apenas as grandes redes de lojas, hotéis, assim como, grandes restaurantes aceitam cartão.

Mesmo lugares turísticos como templos e museus são pagos apenas em dinheiro vivo. Por isso, vá preparado. No meu caso, preferi levar dólares e troquei conforme a necessidade. Na época, pela cotação do iene e do dólar, acabava compensando levar a moeda americana, pois o dólar estava mais valorizado que o iene. Faça a conta antes de comprar uma ou outra moeda.

Outra opção é sacar direto nas máquinas de ATM. Se acredita que o dólar vai cair, pode ser uma opção deixar para comprar dólar na hora, usando a opção de saque internacional de sua conta corrente. Tem muitas máquinas de bancos espalhadas e não tive dificuldade nem de trocar a moeda em papel nem de encontrar máquinas ATM para saque.

9 – ENTENDA E RESPEITE OS COSTUMES LOCAIS

Um das coisas que qualquer pessoa que visita o Japão não deixa de reparar é a limpeza. Não tem lixeira em nenhum lugar. Nos parques, nas ruas, assim como nos shoppings não tem lixeira. Por isso, todos carregam seu próprio lixo para jogar fora em casa ou no hotel. Eu, por exemplo, só vi lixeiras nas estações de trem. Se você for jogar o lixo de uma loja em outra, vai levar bronca. Tem lojas e restaurantes que colocam avisos de “take the garbage to the store where you bought it!”. As ruas são impressionantemente limpíssimas.

Sem falar na organização e no silêncio. É simplesmente incrível ver que Tóquio. Apesar de gigantesca e mega populosa, é a cidade mais silenciosa e limpa que já conheci. A cultura do omotenashi (quem não sabe clica aqui) é seguida fielmente em todos os lugares. Todo mundo pensa primeiro no próximo, antes de pensar em si. Ninguém fala ao celular em público como em trens, Metrô e restaurantes. Há recados para utilizar o celular no modo silencioso ou até proibindo o uso para que a luz da tela não incomode o vizinho.

LOCOMOÇÃO

Siga o fluxo nas ruas e nas estações de trem e Metrô. Olhe as marcações no chão. Há avisos informando a rota para embarque, desembaque, 1a. classe, economica, etc. Nunca fure fila. No Japão tem fila para absolutamente tudo, afinal é muita gente. Entretanto, as filas são compensadas pela eficiência no atendimento. Tudo tem fila, mas pode acreditar, elas andam rápido. Comer nos trens locais e no Metrô não é muito comum. Já nos shinkansens, transportes que viajam entre cidades, é mais aceitável. Tinha lido antes de ir que comer em pé, enquanto anda na rua é muita falta de educação, mas fato é que vi os mais jovens fazendo isso naturalmente.

ONSENS

Onsen é o termo japonês para águas termais. No Japão, para água ter essa classificação, a temperatura deve ser de no mínimo 25 graus. Ir diariamente em um local que tenha onsen é um costume muito tradicional e super comum no país. As pessoas normalmente vão para relaxar depois de um dia de trabalho, mas claro que tem todo um ritual envolvido. Descrevendo de forma bem simples, já que esse tema merece um post só pra ele, a grande maioria da população vão à piscinas de águas termais que são separadas entre homens e mulheres. Entretanto, não pode usar roupa nenhuma, tem que ser peladão como veio ao mundo, sendo necessário tomar um banhão antes.

Não é uma ducha, é um banho tradicional, sentadinho, com sabonete, shampoo e tudo o mais. Outra coisa super importante é que tatuagens são proibidas na grande maioria dos onsens. Taí uma pequena amostra de como as tradições são importantes. Pesquise muito bem antes de ir. Eu, por exemplo, considero uma experiência única poder conhecer e desfrutar desse hábito milenar. Mas eu tive uma pequena preocupação. Como tenho tatuagem, tive de pesquisar muito antes para encontrar onsens em que eu pudesse entrar tendo tatuagem. Além disso, queria um onsem que não fosse turístico, cheio de ocidentais. Queria ter a experiência da tradição por completo.

Aviso logo no check in do hotel de que tatuagem no onsem não era permitido.

DINHEIRO E PAGAMENTO DE CONTA

O relacionamento com o dinheiro também requer comportamento adequado. Nos restaurantes, nunca se paga na mesa. Peça a conta, mas levante-se e pague no caixa ou na porta. Ao pagar, vai reparar que sempre tem uma bandejinha na frente do caixa. Coloque o dinheiro na bandeja ou, se o atendente estender as mãos, entregue o dinheiro segurando com as duas mãos. Isso é muito importante. Nunca dê gorjeta, não está incluída no preço, mas mesmo assim não precisa pagar nada a mais. No Japão eles consideram quase que como uma ofensa dar caixinha. Eles entendem que o preço cobrado é suficiente justo pelo que foi servido/prestado. Portanto, não merecem receber nada a mais pelo serviço.

DICA ESPERTA 1

Ao chegar na cidade, o que deve acontecer provavelmente de trem, procure sempre o balcão de informações. Lá encontrará além dos mapas, informações super úteis sobre como chegar no hotel, que ônibus é melhor pegar etc. Em Kawagushi por exemplo, não sabia que meu hotel tinha transfer gratuito desde a estação. Ao perguntar no guichê, a moça ligou no hotel e eles vieram me buscar em cinco minutos.

DICA ESPERTA 2

Geralmente no guichê de informações você será perguntado se deseja um guia voluntário. Não se assuste, no Japão se eles dizem algo, não tem pegadinha nenhuma. Tivemos a oportunidade de pegar vários guias voluntários, seja nos museus, ou nas cidades. Eles ficam com você por horas e acredito que sejam pagos pelo governo. Ah e não, não ofereça gorjeta. No máximo eles aceitarão alguma lembrança do seu país de origem, como um doce típico, por exemplo. Fora isso, eles podem ficar ofendidos.

Nosso guia voluntário em Himeji

TOILETTES

Saindo de Tóquio é comum encontrar banheiros orientais, aqueles em que a privada é no chão. O banheiro é de louça, sendo a única diferença é que fica no nível do chão. Os orientais em geral, acham mais saudável a posição natural (e é realmente um hábito mais saudável). Portanto, não se assuste. A boa notícia é que geralmente você encontrará os dois tipos de assento, o ocidental (western) e o oriental. As portas são sinalizadas.

MÁSCARAS CIRÚRGICAS

Voltando a cultura do #omotenashi, outro item que chama muito a atenção é o uso das máscaras cirúrgicas nas ruas. Isso é muito comum e não tem nada a ver com poluição. Eles usam sempre que estão com algum resfriado para evitar contaminar as outras pessoas. Lembro que estava com uma tosse feia e comprei um pacote logo no primeiro dia. Elas estão à venda em qualquer loja de conveniência.

NOS TEMPLOS

É importante respeitar o silêncio. Lembre-se de que são templos de verdade e que muitas pessoas estão lá para fazer suas orações. Ou seja, não estão necessariamente turistando. Não esqueça de tirar os calçados, respeite os avisos de “não fotografe” ou “sem flash”. Respeite o ritual de oferenda com incensos e velas. Aproveite este momento para observar o comportamento e, na dúvida, copie.

PALAVRAS JAPONESAS PARA APRENDER

Por fim, aprenda algumas palavras básicas! Quebra o gelo, abre portas e sorrisos. Japõnes é bem difícil mas dá para decorar algumas palavras mágicas, tais como:

  • Arigato gosaimas – muito obrigada
  • Sumimasen – desculpe ou perdão
  • Konnichiwa: olá / bom dia / boa tarde
  • Konbanwa: boa noite
  • Onegai shimasu: por favor  (pronuncia shimas)
  • Oishii: que gostoso!
  • Bai bai ou Sayounara – Tchau
  • Hai – sim
  • Iie: não (pronunica íe)

E assim termino este post que ficou enorme. Espero que tenham gostado e, caso tenham dúvidas ou sugestões que ajudem a planejar sua viagem ao Japão, peço que deixem nos comentários. Vou adorar saber o que acharam, até porque a especialista em viagens aqui no blog é a Gardens, né?

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Créditos das fotos: acervo pessoal da Luci Orkov

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