Um roteiro de 7 dias na Ilha de Malta é o mínimo que recomendo para que tenha uma experiência incrível neste destino que alia belezas naturais, importância histórica secular e custo de viagem mais baixo que países tradicionais europeus.
Em 2007, fiz um curto intercâmbio de inglês em Malta porque queria aproveitar para conhecer o país e refrescar a comunicação no idioma em um local que não tivesse muitos brasileiros. Tive a oportunidade de percorrer Malta de ponta a ponta , explorar as ilhas e conhecer melhor a história de batalhas e dominação de territórios por civilizações distintas ao longo dos séculos.
Claro que nem todo mundo quer ficar um mês em Malta fazendo o mesmo que fiz…rs. Por isso mesmo, uma semana no destino é o tempo perfeito para combinar praias de águas cristalinas, vilas charmosas, cenários surpreendentes, gastronomia mediterrânea e história das civilizações.
Com mais de 300 dias de sol por ano, o arquipélago é um dos destinos preferidos pelos italianos. Não à toa, além do maltês e do inglês, o italiano é falado fluentemente no país. Quando estive em Malta, aproveitei também para dar um upgrade no meu italiano. Os brasileiros, aos poucos, têm descoberto o país para turismo e estudo, mas já é um destino bem consolidado, especialmente, aos europeus.
Por conta de sua importância territorial estratégica, Malta pertenceu a diversas civilizações no passado. O poder ficava com quem tinha maior relevância estratégica, bélica, financeira e de negociação. A cada nova civilização, uma perda histórica e de patrimônio. Os franceses, liderados por Napoleão Bonaparte, por exemplo, levaram uma boa parte da fortuna e tesouro da igreja e da Ordem dos Cavaleiros de Malta, segundo indicam os próprios malteses em relatos.
Os britânicos foram os últimos a colonizar o país. Foram mais de 150 anos de domínio, até a independência de Malta em 1964, tornando-se república em 1974. Integrante da União Europeia desde 2008, Malta ainda é associado à Commonwealth.
É importante trazer estes dados históricos para que tenha uma melhor experiência quando estiver no país, mas vamos ao roteiro e assuntos relacionados.
ROTEIRO DE 7 DIAS NA ILHA DE MALTA
Dia 1 – Valletta e as Três Cidades
Valletta é a capital de Malta e onde tudo acontece. Desde o centro financeiro à vida noturna. Eu mesma, fiquei na cidade quando do meu intercâmbio. Uma das menores capitais da Europa e tombada como Patrimônio Mundial da UNESCO, é repleta de ruelas charmosas, mirantes e edifícios históricos.
Caminhe sem pressa pelo centro passando pela Fonte de Trifão, em frente ao Portão da Cidade. Por ali também está o moderno edifício do novo Parlamento, que contrasta com a arquitetura de 1570, presente na grande maioria das construções em Valletta.
Para ter vistas impressionantes para o Grande Porto e das movimentadas Merchant Street e Republic Street, visite os mirantes Upper Barrakka e Lower Barrakka. A região têm muitos cafés e restaurantes, aproveite uma pausa para provar os pastizzi, pastéis folhados com recheios variados e as massas, que reforçam a influência italiana na gastronomia maltesa. Um prato bem típico em malta é o coelho assado (fenek), mas não tive coragem nem de pensar em provar.
Ainda pelo centro, visite a Catedral de São João, com interior barroco riquíssimo em detalhes, o Forte de Santo Elmo, onde fica o Museu Nacional da Guerra. Inclua também a travessia de barco pelo Grande Porto até as Três Cidades: Vittoriosa (Il-Birgu), Sengle (L-Isla) e Cospicua (Bormla). Ruas fotogênicas e vistas espetaculares para o mar, muralhas e igrejas dão ainda mais charme à visita.
Dia 2 – Mdina, a Cidade Silenciosa
Mdina foi capital de Malta da Antiguidade até a Idade Média e é um dos locais mais históricos e fotogênicos do país. Localizada no topo da colina, cercada por muralhas e com ruas exclusivas para pedestres, Mdina ficou conhecida como a Cidade Silenciosa. Em lugares dizem que o apelido é por conta de ser um local de clima tranquilo e contemplativo, mas quando estava lá, o que os malteses diziam é de que as pessoas não podiam estar pelas ruas da cidade após determinado horário.
Saia bem cedo de sua base em Valletta e perca-se pelas ruelas estreitas de Mdina. Pelo caminho, palácios históricos, igrejas e uma arquitetura projetada para a defesa. O local chamou atenção de grandes produções como Game of Thrones, que utilizou como cenário o Mdina Gate (Portão Principal), praça central e as próprias ruas da cidade.

Quando na cidade, uma pausa para almoço em um de seus cafés charmosos é uma excelente pedida. Também procure pelo artesanato em vidro colorido, produzido localmente é muito similar ao que é feito em Murano, Itália. Guardo o meu até hoje aqui em casa.
Mdina está localizada a cerca de 15 km de Valletta, podendo ser acessada por carro ou ônibus.
Dia 3 – Um dia na Ilha de Gozo
Repleta de paisagens naturais, praias, cavernas e sítios históricos, o acesso é feito por travessia de 30 minutos em balsa para depois pegar ônibus para os principais pontos. Se quiser ter mais liberdade, atualmente, é possível fazer tal travessia (de balsa) também de carro.
Em Gozo não pode faltar no roteiro a capital Victoria (Rabat) e sua cidadela medieval muito bem preservada, com palacetes, igrejas e vistas panorâmicas. Inclua também os Templos de Ggantija, que é um dos complexos de templos em pedra mais antigos do mundo, assim como o Moinho de Ta’Kola e a imponente Basílica de Ta’Pinu, especialmente ao pôr do sol.
É claro que as praias e muita natureza devem estar em sua estada em Gozo. Não deixe de conhecer: Ramla Bay, a praia mais popular da ilha; a Caverna de Il-Mixta, mirante natural com vista espetacular de Ramla Bay; Wied il-Ghasri, uma pequena praia no fim de um canal estreito, com água azul intensa ;e Dwejra Bay, famosa pelos arcos rochosos, lagoas e formações impressionantes.
Para fechar as indicações, inclua também o lendário Blue Hole, um dos pontos de mergulhos mais famosos de Malta, a Torre de Dwejra, usada para vigia e defesa no século XVII.
Dia 4 – Blue Lagoon e Ilha de Comino
Sem dúvida alguma, dois dos lugares mais espetaculares de toda Ilha de Malta, especialmente, durante primavera e verão por conta da cor inesquecível do mar, das mais cristalinas de todo arquipélago.

No quarto dia é hora de curtir a Ilha de Comino, a menor do arquipélago, e a famosa Blue Lagoon (Lagoa Azul). Como é um dos lugares mais disputados nos dias mais quentes, o ideal é chegar o mais cedo possível, pegando barco ou ferry a partir dos terminais de Marfa ou Cirkewwa. Caso queira fazer algo diferente ou fugir da multidão depois de um tempo, minha sugestão é fazer uma trilha até a Crystal Lagoon, que costuma ser bem menos cheia.
Para contemplar um belo pôr do sol neste lugar mágico, vá até a Coral Lagoon, um grande buraco na rocha de onde se vê o mar. É possível também fazer um passeio de volta à ilha ou até mesmo alugar um 4×4 para explorar melhor os mirantes e enseadas.
Dia 5 – Popeye Village, Golden Bay
Aproveite o quinto dia para ir até a Vila do Popeye, que foi criada originalmente para o filme. Quando a visitei pela primeira vez lá em 2007, o filme Popeye era mais recente e a ideia era o passeio para visitar os cenários que ficaram. Entretanto, com a alta procura pela atração, a vila transformou-se em um parque temático à beira mar, com seus decks, casinhas coloridas e demais atividades. Não deixe de ir, além de pitoresco, o lugar é lindo!
Também você não pode deixar de ir à Golden Bay, uma das praias mais bonitas para ver o pôr do sol em Malta. Aproveite para caminhar pelas falésias ao redor da baía e relaxar depois de um dia de andanças.
Dia 6 – Blue Grotto e outras atrações
Separe este dia para conhecer lugares que aliam mar azul intenso, sítios arqueológicos e falésias em formatos rochosos. Comece por Blue Grotto (Gruta Azul), um conjunto de cavernas e arcos naturais formados na rocha, que contrastam estupendamente com o azul mediterrâneo. Assim que chegar próximo a Blue Grotto há um mirante onde já verá a grandiosidade do local, mas nada como fazer um passeio de barco para usufruir todos os ângulos deste lugar espetacular.
Saindo de Blue Grotto, siga para Hagar Qim, um complexo de templos megalíticos que datam de 3600 a 3200 a.C., considerados Patrimônio Mundial da UNESCO. A 15 minutos dali estão os Penhascos de Dingli, uma longa faixa de falésias com vista aberta para o mar.
Dia 7 – Marsaxlokk e Piscina de São Pedro
Para conhecer melhor a cultura de Malta, vale a visita a Marsaxlokk, uma pitoresca vila de pescadores famosa por seus barcos tradicionais luzzu, que são pintados de cores vibrantes e com olhos protetores na proa. Além de caminhar pela orla, ver de perto os barcos, aproveite para provar frutos do mar frescos, direto das redes para mesa.

No pós almoço, siga para a Piscina de São Pedro (St. Peter´s Pool), uma piscina natural escavada nas rochas com água de um azul impressionante. O local é muito popular para banho, mergulho e saltos das plataformas naturais de pedra, sendo um encerramento perfeito para a viagem, já que une mar, sol e um último banho no Mar Mediterrâneo antes de despedir-se de Malta.
Têm menos dias? O que é imperdível em Malta?
Não tem como sair de Malta sem conhecer Mdina, as ilhas de Gozo e Comino e Blue Grotto. Fazer um passeio de barco também é essencial para conhecer mais de perto a arquitetura, fortalezas e o contraste do mar com os paredões rochosos.
O que é importante saber antes de ir à Malta?
A forma mais prática de se locomover em Malta é alugando um carro, mas tenha em mente que por lá se dirige na mão inglesa. No começo é estranho, mas depois acostuma. Caso não se sinta confortável, é possível chegar aos lugares de ônibus ou em tours contratados. Entretanto, o tempo de locomoção será maior.
Apesar do país se chamar Ilha de Malta, trata-se de um arquipélago. São três as ilhas que conseguimos visitar: Gozo, Comino e Malta.
Conhecer Malta é fazer uma imersão na história das invasões e das civilizações. Se puder assista à Malta Experience, uma experiência audiovisual que conta toda a história do país, desde a Antiguidade.
As casas e prédios seguem as mesmas cores. Será uma das coisas que vai notar de cara! Em Valletta está a vida noturna é bem agitada. Sua rua principal ferve com os night clubs, frequentados por turistas, estudantes e moradores. Há muitos jovens espanhóis e italianos que fazem intercâmbio no país. Para eles e, para nós brasileiros, o custo de vida é o mais baixo, comparando com outros locais na Europa, como Londres, por exemplo.

A moeda utilizada é o euro, o país faz parte da União Europeia desde 2008, sendo as línguas oficiais o inglês (com forte sotaque) e o maltês. A tomada é padrão inglês, leve o adaptador universal para evitar perrengue.
Os malteses não são dos mais simpáticos, têm traços misturados, mais similares aos árabes.É um país seguro para mulheres e um dos mais bonitos da Europa em termos de paisagens naturais. Prefira hospedar-se em Valletta, aqui vão algumas sugestões de hotéis em Malta:
- Domus Zamittello: hotel boutique charmoso em prédio histórico, quartos elegantes, localização central excelente (perto da Republic Street) e café da manhã elogiado.
- La Falconeria: ótimo custo-benefício em Valletta, com decoração contemporânea, alguns quartos com vista, atmosfera intimista e fácil acesso aos principais pontos turísticos.
- Palais Le Brun: opção mais sofisticada, com piscina na cobertura e vista linda da cidade, bem avaliado pelo conforto e atendimento.
- The Embassy Valletta Hotel: hotel moderno no coração da cidade, rooftop com vista panorâmica e piscina, ideal para quem quer algo mais urbano, com estrutura completa.
- Casa Ellul / Palazzo Consiglia / Ursulino Valletta: pequenos hotéis-boutique em prédios históricos, perfeitos se você quiser uma experiência mais exclusiva, com poucos quartos e bastante personalidade.
Caso queira ficar uma parte do tempo no burburinho em Valletta e outra parte em outro local, prefira St. Jullian´s ou Sliema. As opções que indico são:
- The Waterfront Hotel (Sliema): frente ao mar, vista para Valletta, café da manhã bem avaliado e localização ótima para usar ônibus e ferry.
- 1926 Hotel & Spa (Sliema): moderno, com estrutura de spa, piscina e beach club sazonal, ótimo para quem quer conforto sem ir para o “luxo máximo”.
- Mercure St. Julian’s Malta: bem avaliado, estilo moderno, boa relação custo-benefício e localização prática em St. Julian’s.
- be.HOTEL (St. Julian’s): design mais jovem, dentro de um complexo com lojas e restaurantes, rooftop com piscina, boa opção para quem quer movimento.
- Holiday Inn Express: bom para quem prioriza preço e conforto básico
Se tiver tempo sobrando, vale a pena fazer um bate volta de Malta até a Sicília, escrevi sobre a experiência aqui -> ferry boat de Malta a Sicília – Caso queira contratar um passeio de dia todo, aqui está minha dica!
Para mais passeios em Malta, sugiro que contrate os tours em empresas confiáveis como o Get Your Guide.
Seguro na Europa é obrigatório
O seguro viagem na Europa é obrigatório e, por experiência própria, não recomendo que façam sua viagem somente com aquele tradicional seguro do cartão de crédito. Eu, por exemplo, tive um problema sério familiar e tive que voltar às pressas desta viagem para o Brasil.
Emiti uma nova passagem aérea e, se não fosse o bom seguro contratado, teria entrado em um baita prejuízo. Já caí no conto de viajar com o seguro do cartão de crédito para “economizar” e estou desde 2024 brigando com a Mastercard para o reembolso de uma ida ao dentista no Hawaii.
Aqui, deixo uma dica de ouro, que inclusive uso muito. O nosso parceiro antigo aqui do blog, O Meu Chip, tem uma dobradinha bem bacana. Você contrata o chip de celular (pode ser chip físico, eSim) e leva o seguro viagem da Zurich totalmente gratuito. Além de ficar conectado com boa e veloz internet, estará segurado por uma empresa séria e renomada.
Foi por conta dessa dobradinha de O Meu Chip, que viajei segurada pela Zurich e pude receber de forma rápida o reembolso da passagem de volta emergencial.
Caso você não tenha interesse, sugiro que pesquise seu seguro viagem no site da Real Seguro Viagem, que traz um comparativo de vários tipos de seguro, cobertura e seguradores, trazendo ainda um descontinho para nossos leitores.
Deixarei os links abaixo para fazerem uma pesquisa de valores:
1 – O Meu Chip, com gratuidade de seguro viagem
2 – Real Seguro Viagem, com bons preços e pagamento facilitado















